domingo, 28 de fevereiro de 2010

Escrevi um poema dedicado à Carla, minha mulher, no gênero lírico clássico, chamado: MADRIGAL.

Vou colocar informações retiradas do famoso TRATADO DE VERSIFICAÇÃO de Olavo Bilac e Guimaraens Passos para entendermos, de maneira breve, sobre este tipo de composição e após, postarei a minha tentativa de realização de um Madrigal (levei 2 meses para realizar este pequeno poema com apenas 8 versos).

MADRIGAL

De origen italiana, o madrigal era, no seculo XVI, uma especie de composição musical e poetica, consistindo em canto vocal sem acompanhamento.

A palavra perdeu essa significação. O que chamamos actualmente madrigal é uma pequena composição destinada a exprimir, num resumido numero de versos, um pensamento espirituoso e elegante, um galanteio, um elogio discreto ou uma discreta confissão de amor. Concisão, graça e delicadeza, — são as suas qualidades esenciaes. (...)

Todas as fórmas metricas podem servir ao madrigal. Nelle se empregam habitualmente a redondilha, ou os versos de 10 e 6 syllabas entremeiados.
(BILAC, Olavo; Passos, Guimaraens. TRATADO DE VERSIFICAÇÃO. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 8ª edição, 1944. (Pág. 131 e 132)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Exemplos de poetas brasileiros que realizaram Madrigais são: o Árcade Silva Alvarenga, o Romântico Maciel Monteiro e o Simbolista Conde de Affonso Celso.

Curiosidade 1:

Existe na obra de outro Simbolista: Da Costa e Silva, no seu livro Zodíaco de 1917 um poema chamado: Madrigal de um Louco, onde o poeta realiza um poema dedicado ao astro LUA; em formato de losango, este poema, certamente, influenciou os poetas Concretistas.

Curiosidade 2:

Manuel Bandeira no livro Mafuá do Malungo de 1948, também, experimentou este tipo de composição poética, num encaminhamento moderno.


MADRIGAL
à Carla Tambelli

Mia fermosa senhora
Tendes vós serena graça
Ofertais ao que passa
Toda beleza d´aurora.

Dais versos d´improviso
De voss´olhar distraído
A ver no céu colorido
Retrato do vosso riso.
(Alexandre Tambelli, para Carla Tambelli, minha mulher, São Paulo, 06 de agosto de 2009 - 11:27h).


Reflexão nascida ao término do poema em 6 de agosto de 2009.

Por que levamos dois meses para a realização de duas pequenas quadras em redondilha maior?! O poeta deve primeiro conhecer o íntimo do seu poema para depois realizá-lo. Nada está pronto, apesar de poder nascer pronto. Se nascer aparentemente pronto é apenas uma situação de exposição ao papel. A luta pelo poema é ação continuada e vai sendo travada n´alma. O poeta precisa viver a Poesia antes do poema nascer.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

REFEIÇÃO - SONETO A QUATRO MÃOS!



Hendecassílabo com acentos nas 5ª, 7ª e 11ª sílabas


Café: passarinho belo da manhã!
Sabor agradável, sempre me desperta.
Leite quente, ferro forte do amanhã
Ao raiar o dia, bebo a dose certa.

Arroz: divinal manjar, comida irmã
Feijão é seu par maior, saúde oferta!
Chá das cinco, sacra tarde no divã
Geléia sobre a torrada, à luz incerta.



E chega a suprema noite, hora feliz!
Momento de um novo encontro, outra iguaria
Bebida sutil, champagne chafariz

Odores mais puros, quem os provaria?
Somente teu homem prova, imperatriz,
Teu beijo, o sabor mais forte do meu dia.



Nilza Azzi e Rommel Werneck

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA DIVERSIDADE POÉTICA

O que me levou a escrever este manifesto, postado na sequência, foi a contenda gerada entre uma Editora de Livros: Laura Bacellar, acostumada em dar diretrizes à novos autores de como publicar seu livro sem precisar pagar do próprio bolso a obra; e um grupo de Poetas jovens, deste blog: Poesia Retrô.

Os jovens escritores estão indignados com a opinião da Editora, que defende a ideia de não escrevermos poemas seguindo os modelos clássicos e sua temática, e também, não seguirmos as ideias e caminhos dos poetas modernos, representativos, para termos uma oportunidade no mercado literário; entende a Editora que a cópia de modelos consagrados não traz resultado prático, ou seja, livro vendável, porque o leitor sempre prefere o original. Laura Bacellar defende a busca pelo ineditismo literário.

Estou do lado dos jovens escritores, nesta contenda!

Penso ser errado ensinar jovens escritores caminhos para a sua escrita ter sucesso que não possam passar pela Literatura Clássica ou se assemelhar à expoentes da Poesia Moderna. Como vivenciar a Poesia, escreve-la, no ineditismo desejado por Laura Bacellar, sem ter como espelho os poetas: Gregório de Matos Guerra, Tomás Antonio Gonzaga, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casemiro de Abreu, Castro Alves, Qorpo Santo, Olavo Bilac, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Mario Pederneiras, Gilka Machado, Padre Antonio Tomás, Olegário Mariano, Mário de Andrade, Luis Aranha, Raul Bopp, Carlos Drumond de Andrade, Mário Quintana, Cecília Meireles, Patativa do Assaré, Vinicius de Moraes, J. G. de Araújo Jorge, Lila Ripoll, João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos, Moacyr Félix, Wlademir Dias Pino, Mário Faustino, Cacaso, Fabrício Carpinejar, etc. e suas concepções e/ou temáticas distintas do fazer poético.

Quem pode afirmar, com precisão, que somente o ineditismo temático agradará o leitor de nosso tempo? É justo colocar que, jovens escritores, ambientando, boa parte de seus poemas, na Poesia Clássica e no espírito de boa parte do Século XIX - sob influências do Romantismo e Simbolismo literários -, não terão oportunidade no mercado dos livros?

De que serve, então, o prazer da leitura e a identificação literária, dos jovens escritores, pelos poetas: A. A. Soares de Passos, Alvares de Azevedo, Wenceslau de Queiroz, Antero de Quental, Camilo Pessanha, Cesário Verde, Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens, Dário Vellozo, Silveira Neto, Oscar Rosas, Emiliano Pernetta, Moacir de Almeida, Augusto dos Anjos, etc., poetas estes que realizaram, uma poesia: ora mais penumbrista, ora cientificista, satanista por vezes, também, decadentista, etc. se não podem demonstrar a influência destes escritores nos seus Poemas?

Deixemos adentrar nas livrarias, a pluralidade de idéias, de concepções poéticas, sempre! A diversidade é importante para aumentar o espectro de “tipos de leitores” e não ficarmos muito iguais no pensamento. É preciso dar ao leitor: o direito democrático de escolha do que quer ler, para isto, seja a Poesia, participante da corrente, como acredita o jovem e talentoso escritor Rommel Werneck: da PLURILITERARIEDADE!


MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA DIVERSIDADE POÉTICA
Temos, geralmente, uma polêmica em torno da publicação de um livro de poemas (e não de poesias - que é um conceito abstrato). Qual o caminho melhor para publicá-lo? Qual a “suposta” forma de agradar o editor e não encalhar o livro nas prateleiras do depósito da Editora? Qual o tipo de poética de valor? Por que escrever em linguagem moderna e não a partir de modelos clássicos? E vice-versa...

Vejo, como caminho inicial da discussão o entendimento que qualquer posicionamento do fazer poético é subjetivo. Para cada autor, uma escola poética pode chamar mais atenção: certos poetas preferem o Simbolismo Literário, outros a Poesia Moderna, uma parte aceita com naturalidade as duas vertentes e destes, alguns transitam entre as duas escolas quando escrevem. Outros transitam por todas as possibilidades poéticas já criadas.

O poema é uma criação do homem. Deus nos facultou a Poesia: através de um sopro Divino, dirão alguns; e outros dirão, ela nos vem por acaso, é resultado do acaso. Ainda há os que dirão se tratar de uma ação concreta, sem intermediação do subjetivo. Muito antes da manifestação concreta da Poesia: o poema, ela já se manifestava nos homens, que a partir da escrita puderam transpô-la ao papel.

Em cada período literário, autores mais expressivos ditam determinadas regras do “bom poetar” (Tratados Literários), são instrumentos de direcionamento, ao escritor, para realizar um poema, que, segundo os criadores desses tratados, levará o Poeta ao bom poema. Existem inúmeros exemplos de Tratados Literários, citemos dois, entre eles um clássico: “Tratado de Versificação”, do ano de 1905, escrito por Olavo Bilac e Guimarães Passos; e outro moderno: “Poética: Como Fazer Versos” de Vladimir Maiakóvsky, do ano de 1926.

O simples fato de seguir estas regras dos Tratados Literários, o encaminhamento proposto pelo autor destes textos de como realizar um bom poetar não significará um bom poema realizado. Geralmente, os melhores escritores de Poesia são os que mais independentes estão em relação ao cânone de regras de uma Escola Literária. (um adendo, as regras são criações humanas - elas não existiam quando da descoberta da Poesia pelos primeiros poetas - tanto é, que a Ilíada de Homero, um dos primeiros poemas da Antiguidade Clássica, dos que chegaram até nós, não é uma construção poética com RIMAS - a rima veio bem depois, já na Era Cristã.)

É totalmente errônea a idéia de que a Poesia possa ser fundada em conceitos rígidos, que ao olhar de um determinado crítico, é a única maneira de se conceber uma Literatura de qualidade, um poema expressivo. E por que é errado pensar assim? Porque cada pessoa tem uma opinião sobre o que lê. Afinal, interpretar um texto não é uma ação mecânica apenas, o subjetivo também conta. Quantas vezes um poema não diz nada para nós e alguém se vê espelhado nele? Muitas vezes ocorre assim. POR QUE EXISTIRIAM ESCOLAS LITERÁRIAS SE SÓ UMA CONCEPÇÃO DO FAZER POÉTICO É A CERTA?

A qualidade literária, para toda pessoa, é subjetiva mais do que tudo. Para alcança-la com maior precisão é necessário a junção de pelo menos quatro elementos: sentimento humano, leitura dos grandes poetas da Literatura Universal de todos os tempos literários, conhecimento literário - regras do fazer poético: clássico e moderno -, conhecimento da Língua Portuguesa em sua variante culta e popular. Nota-se porém, que estes conhecimentos não são iniciais, necessariamente, nos poetas, em quase todos, adquiri-se com o passar dos anos.

É importante lembrar que se uma pessoa tiver como DOM: a Literatura, ela pode manifesta-la sem sequer saber escrever a palavra Poesia com S, escrevendo-a com Z. Lembremos, é muito mais fácil consertar um poema escrito num Português distante da norma culta: com criatividade, com valor sentimental do que corrigir um poema, onde o autor não possui o DOM para a Poesia, mesmo com a escrita corretamente dentro da norma culta do idioma e do(s) Tratado(s) Literário(s), conceitos para se chegar ao “bom poema”, do seu tempo de escritor.

Mesmo que alguns escritores tenham mais aptidão para o fazer poético é importante o respeito para com a escrita de todos. Todos têm o direito de escrever e é bonita esta manifestação poética dos sentimentos humanos, sempre! Nós não escrevemos para publicar um livro, esta pode ser a consequência de nossa atividade com as palavras; escrevemos para desnudar um mundo interior que nos aflige e para desmascarar as mazelas do mundo exterior, também escrevemos, para expressar momentos de intensa alegria ou de inconsolável dor. Cada pessoa terá seu motivo maior para escrever. E nos poetas verdadeiros, será o motivo, a necessidade e não o lucro, por se adequar ao possível editor. Reiner Maria Rilke, poeta alemão, em Cartas a um Jovem Poeta (cartas escritas entre 1903 e 1908 destinadas ao jovem poeta alemão: Franz Xaver Kapus), nos pede para escrever somente por necessidade, não é lindo esse pedido?

Quem escreve moldando suas composições para serem aceitas por um editor e seu suposto público, poderá estar, falseando a si mesmo e se desvalorizando. A Literatura não pode ser refém de nenhuma regra, de nenhum editor, de nenhum “suposto leitor”; ela deve ser livre e ser dado o direito a cada Poeta da escolha de qual caminho seguir! Havendo parâmetros de escolhas e DEMOCRACIA EDITORIAL, os melhores, independente de escolas, serão publicados e sem precisar moldar-se ao mercado editorial.

Por que a Poesia Moderna seria melhor que um Soneto Simbolista do final do Século XIX? e vice-versa... Quem pode afirmar que o caminho A é mais vendável que o caminho B? Quem venderia mais, se estivessem expostos numa mesma prateleira para se levar um deles para casa: Augusto dos Anjos (Poeta Clássico) ou Fabrício Carpinejar (Poeta Pós-Moderno)? Certamente, Augusto dos Anjos e ele fez Poesia Clássica de grande expressão poética, e dentre seus poemas, muitos Sonetos! E vende mais, porque é mais prazerosa a leitura e de maior valor literário/sentimental - e estou considerando aqui uma hipotética sociedade brasileira, onde, o nível educacional dos brasileiros fosse alto. Tenho convicção, que numa sociedade mais evoluída o Augusto dos Anjos daria de goleada no Fabrício Carpinejar, não é desmerecimento da obra deste, mas pela beleza dos poemas daquele. Da mesma forma que um livro da Moderna Cecília Meireles venderia bem mais que um livro de um poeta parnasiano, que seguisse 100% a risca os conceitos poéticos do Parnasianismo clássico - quantos poetas parnasianos nem sequer foram citados em enciclopédias de autores de literatura, não é verdade?

Uma verdade: nós não somos máquinas frias, temos sentimentos, alma que pulsa, sofremos, vivemos a Vida em constantes inquietações interiores. Somos subjetivos sim! E a razão não comanda nossa Vida, só se formos escravos do Sistema, o que bem quer os que preferem nossa frialdade em busca de nos dominar e manter o status quo! Para qual Editora trabalha a pessoa que nos ensina caminhos para ter sucesso na publicação de um livro? Que interesse tem a editora que irá publicar um livro em moldes pré-estabelecidos? Qual a visão de mundo dessa editora de livros? Quem a financia? Nada está dissociado... Tem sempre uma razão, um interesse subliminar, por detrás dessas idéias de como obter sucesso na carreira Literária e em qualquer outra área.

Quem quer ser Poeta e de valor deve desprender-se de preconceitos e buscar um conhecimento amplo! Ser capaz de trafegar entre o Clássico e o Moderno, amar Poesia, amar os Poetas, gostar de ler poemas em uma grande quantidade e saber assimilar o bom de cada período literário; deve saber se emocionar com os poemas que falam de Amor e deve se indignar junto, com a imagem retratada em um poema social.

Abaixo o preconceito contra os poetas que não seguem a cartilha A, B, C ou D, etc. Diversidade é bom e saudável. Não existe ditadura literária, não existe o bom ou o mau poema, existe sim, a impressão particular sobre cada Poema lido. Que se publique autores do mais variado estro, da mais diferente escola, temática e forma de realizar o poema, seja, poeta concretista, pós-moderno, simbolista, árcade, modernista, parnasiano, etc., porém, lutemos para que os mais valiosos e preparados sejam mais valorizados e ocupem um lugar de destaque no cenário literário e nas prateleiras das livrarias. É Ética esta luta e justa com o público leitor!

Existe espaço para todos. Respeitemos as diferenças de gosto literário e evitemos propagar preconceitos literários, estes são prejudiciais, ao jovem poeta. Tanto o preconceito contra a Poesia Clássica e contra a Poesia Moderna inibem o crescimento de qualquer poeta... Todo conhecimento é pouco diante da diversidade de idéias e concepções literárias existentes no Mundo, desde sempre! Aprender sempre faz-se necessário, ser humilde aprendiz é ser um poeta com capacidade de mudar o mundo, de mudar a si mesmo e de realizar uma Literatura prazerosa de ser lida por quem ama a Poesia!

Viva a Poesia Retrô! Viva a Poesia Pós-Moderna! Viva a diversidade Literária!

ALEXANDRE TAMBELLI

sábado, 13 de fevereiro de 2010

RETRÔ NEWS: "LAURA BACELLAR ATACA HOMERO E AS EDITORAS PRESTADORAS DE SERVIÇO!"



Saudações, Plêiade! Saudações, Leitores!


    Segue abaixo a continuação da polêmica que enfretamos com a editora Laura Bacellar. Na cor verde, a resposta da editora para mim. Em roxo, a minha resposta a todos os abusos literários do e-mail.

     Inicialmente, eu pus o link de meu artigo de defesa na página de recados do orkut de Bacellar, uma vez que orkut é um meio formal para nós escritores/ editores. Entretanto, a autora apagou o recado e nem me respondeu.








    Tive que publicar o link como comentário na página de onde o texto original foi retirado: http://www.escrevaseulivro.com.br/escreva/encontre-uma-editora/como-publico-minhas-poesias.html onde  o(a) caro (a) leitor (a)/ escritor (a) poderá observar o comentário de defesa escritor por nossa escritora Amanda Vital (A.V.), se aprovado pela moderação, pois não sabemos se o comentário será aprovado. No mesmo link, Bacellar mente dizendo que nosso blog não aceitou um suposto comentário dela. Realmente, comentar no blogspot não é fácil, às vezes, nem eu consigo comentar aqui, mas isto é problema técnico. Ela que se sinta à vontade para falar mal de nosso blog aqui ou no site dela.






Clique nos dois prints

     No e-mail que me mandou, Bacellar chega a ofender destrutivamente Ilíada, de Homero e subestimar as editoras prestadoras de serviços. No site, a discussão pega fogo, fomos denominados de "poetas melindrosos", o pior é que eles nem sabem que melindrosos/ melindrados são termos da década de 20, época do modernismo! Na próxima postagem, escreverei sobre esta situação ridícula e ditadorial ocorrida  promovida no fórum pelo sr. Sidney Guerra, administrador também do site "Escreva seu Livro".






 Reparem o círculo vermelho que fiz em volta da crítica destrutivíssima que Bacellar faz a Homero!



> From: laurabacellar@escrevaseulivro.com.br

> To: rommel_dickens@hotmail.com
> Subject: Re: New comment added. Moderator approval required.
> Date: Tue, 12 Jan 2010 19:56:03 -0200


>


> eis meu comentário sobre seu post, muchacho.


>


> Caros,


> eu não sou uma pesquisadora nem crítica literária, mas uma editora de
> livros. Desde 1983, aliás. E a ideia do meu site não é dizer a ninguém o que
> fazer, mas sim auxiliar os que desejam a encontrar editoras que os
> publiquem. De verdade, não prestadores de serviço pelos quais tenham que
> pagar. Notem que a ignorância é tanta que aqui mesmo o etcoelhoh presume que
> seja necessário pagar para ser publicado... Leia meu site, amigo.
> Quanto às alegações de que não exerço minha profissão com competência ou
> amor, não vou me dar ao trabalho de responder. Envolver-se com livros por
> mais de 25 anos será pelo quê?
> Convido os poetas desse site a pensarem no que disse um colega muito mais
> mais ilustre do que eu, T. S. Elliot, que foi editor e poeta. Segundo ele,
> os poetas são preguiçosos porque não encaram os temas importantes de suas
> épocas.
> hehehe, eu acrescento: se escrever poesia fosse fugir da sordidez e da
> violência, como ficaria Homero com as Ilíadas?
> um abraço,


> Laura Bacellar




Caríssima Bacellar!



Para quem este e-mail é direcionado? A senhorita pôs "caros" e também muchacho, a quem é isto? A mim ou aos outros? Fico lisonjeado que tenha respondido meu e-mail, pensei que tivesse recuado após apagar meu recado no orkut. Se não é crítica literária, por que tece opiniões sobre literatua, opiniões até repressoras? Se seu site serve para orientar autores, por que insere diretrizes destrutivas e até não-literárias? Se é editora, deveria tentar fazer negócio comigo, pretendo publicar meu livro, pena que a senhorita não gosta de poesia...

Em nenhum momento, ignoramos ou desprezamos as prestadoras de serviço editorial, aliás, será através de uma excelente prestadora de serviços que conheço há um bom tempo que publicarei meu livro. Quem fez isto foi a senhorita ao escrever que os poetas podem ser felizes publicando livros de prestadoras de serviços e distribuindo para familiares e amigos apenas. Sinceramente, não julga que seu texto é ofensivo às editoras prestadoras de serviços? Temos o raciocínio: os poetas que escrevem com temáticas clássicas são considerados ruins pela senhorita e eles, por serem ruins, devem apenas ir para prestadoras de serviço, sendo assim, é como se os poetas piores estivessem nas mãos das editoras que prestam serviços, portanto, é como se elas fossem as piores! A senhorita é quem as insulta, nós não a ignoramos.
 
Eu descobri o artigo navegando pelo site que considerei tão ótimo que hospedei nos "meus favoritos", li sobre sua trajetória editorial. Não a considero péssima, porém seu texto é corrosivo, corrói as editoras, os poetas e também a senhorita. É a impressão que temos, do mesmo modo, que existe a impressão que uma produtora editorial possui acerca de autores que escrevem com inspiração na literatura clássica. Porém não ofendemos a pluralidade literária. Sabemos que a cara amiga é uma boa profissional e que fez tudo por amor à profissão, porém escorrega feio com textos como este.
 
Realmente, os poetas poderiam cuidar da literatura, valorizando o passado e planejando o futuro. A escrita pode ser um misto entre os dois. O escritor deve observar criticamente o seu mundo e aproveitar o que é útil, o que não significa secularizar a poesia, banalizá-la. O caráter eternizador da lira está presente nestes três versos de Shakespeare na tradução de Bárbara Heliodora, uma grande teoria literária:

 
"When in eternal lines to time thou grow'st,
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee"

 
"Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver."



A senhorita não sabe distinguir eu-lírico de escritor, discrimina os poetas e ainda só consegue ver sordidez e violência numa grande obra da humanidade, isto comprova o preconceito que possui. Julgar Homero um escritor baixo e pior (!) sem apresentar nada e ignorando o contexto histórico e as influências para o hoje. O resto já pus no blog. As críticas são sempre aos textos e não às pessoas. Estou aberto a conversas. Desculpe-me se sentiu ofendida.
 
Post-scriptum: *muchacho: prefiro o termo efebo, não julgo que eu tenha um ar hispânico, julgo que tenho um lado grego sutil.

 
sempre seu,
Rommel Werneck
http://www.poesiaretro.blogspot.com/