domingo, 27 de maio de 2012

Veni, Creator Spiritus






Veni, creator Spiritus
mentes tuorum visita,
imple superna gratia,
quae tu creasti pectora.


Qui diceris Paraclitus,
altissimi donum Dei,
fons vivus, ignis, caritas
et spiritalis unctio.


Tu septiformis munere,
digitus paternae dexterae
tu rite promissum Patris
sermone ditans guttura.


Accende lumen sensibus,
infunde amorem cordibus,
infirma nostri corporis,
virtute firmans perpeti.


Hostem repellas longius
pacemque dones protinus;
ductore sic te praevio
vitemus omne noxium.


Per te sciamus da Patrem
noscamus atque Filium,
te utriusque Spiritum
credamus omni tempore.


Deo Patri sit gloria,
et Filio qui a mortuis
Surrexit, ac Paraclito,
in saeculorum saecula.
Amen.


Veni, Creator Spiritus é um hino cristão escrito provavelmente pelo monge beneditino
Rabanus Maurus. É entoado na festa católica de Pentecostes (hoje!), mas também comum no Anglicanismo.

É um clássico da música e recebeu releituras, destaco algumas aqui. 



GREGORIANO


A melhor versão gregoriana não pode ser incorporadada. Clique no link acima para abrir em outra guia.




PALESTRINA







BACH
 


NICCOLÒ JOMMELLI







VERSÃO MODERNA?



Infelizmente não sei quem fez o arranjo, é muito belo e um acréscimo em inglês. Amei!






STUDIO DI GIOVANNI VIANINI






METATRONE






quarta-feira, 23 de maio de 2012

MAGNO SONETO (Gaita Galega em versos brancos)

 
 MAGNO SONETO
 
Minha primeira gaita galega*
 

Ah! Esses beijos que mandas nos poemas
Mas que não tocam jamais minha face!

São minuetos vazios do engano
São sanguinárias mentiras que contas

Oh! Esses lábios sedentos esperam,
Eles desejam um verso escrever,
Ação de graças, louvores intensos
Êxtases santos a Deus exalar


E se pudéssemos ó compor versos
Juntos casados colados perdidos
Quem sabe unidos faríamos mais!


E nossos lábios selados enfim
Professariam estrofes à noite
Vozes douradas num magno soneto!
 
*Na época (2010) porque hoje tenho outras. Soneto antigo, nunca tinha postado aqui

terça-feira, 22 de maio de 2012

Indrisação #05 - Frei António das Chagas


 
Se sois riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se rei, como de espinhos coroado?
Se forte, como estais enfraquecido?

Se luz, como a luz tendes perdida?
Se sol divino, como eclipsado?
Se Verbo, como é que estais calado?
Se vida, como estais amortecido?

Se Deus? estais como homem nessa Cruz?
Se homem? como dais a um ladrão,
Com tão grande poder, posse dos céus?

Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus!
Morrendo por Adão enquanto Adão,
E redimindo Adão enquanto Deus.


António da Fonseca Soares
(Frei António das Chagas)


   CAÇA E CAÇADORA


"Se sois riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se rei, como de espinhos coroado?
Se forte, como estais enfraquecido?"

António da Fonseca Soares,
(Frei António das Chagas)
Fénix Renascida, V




Se vós sois a Lua, como brilhais Sol?
Se filha de Júpiter, como sois virgem?
Se inocente, como em cervo nos transforma?


Formosa, porém caçadora voraz?
Deusa? Mas em ossos e carnes mulher?
Mulher? Mas vestida, entronizada deusa?


Ah! Diana, sois a graça da desgraça


Caça e Caçadora, Caçadora e Caça!



 Rommel  Werneck



NOTAS:


1- Inicialmente quis fazer um soneto, depois fiz o indriso, mas cheguei a pensar que como soneto ficaria melhor. Porém assim como indriso também está bom (céus, como sou indeciso!) porque a indefinição final, a falta de espaço e a própria dificuldade em escrever talvez reflitam o que vem a ser se referir a Diana.


2- Logicamente os versos finais deveriam alçar um "final", buscar uma explicação, uma conclusão acerca de Diana. Bem, isto até ocorre ("sois a graça das desgraças"), mas não há um desdobramento lógico do que é a "graça das desgraças", a única definição sobre o que se sente é a própria subjetividade numa repetição "Caça e Caçadora, Caçadora e Caça!" Talvez porque Diana seja mulher e deusa ao mesmo tempo e isso gere um certo conflito (influência cultista?)


3- Versos brancos novamente em hendecassílabos novamente para explorar o estudo de possibilidades, a experimentação = isométricos brancos em forma fixa! Versos livres são igualmente lícitos porque indriso é uma forma fixa que permite, todavia como existe uma atual aversão aos isométricos é bom usá-los.


4-   A fotografia foi feita por mim. É uma estátua de Diana no Parque da Luz, em São Paulo. É interessante valorizar estátuas públicas.

sábado, 12 de maio de 2012

OS LÁBIOS DO VENENO

Romeo am Totenbett der Julia (1809)


“O churl! drunk all, and left no friendly drop to help me after? I will
kiss thy lips. Haply some poison yet doth hang on them to make me die with a restorative. [Kisses him.]”

The Tragedy of  Romeo and Juliet. Shakespeare. Act V. Scene III



Jazia embalsamado o bom Romeu
Guardando nos seus lábios um veneno
Que no sabor fortíssimo e sereno
Foi-lhe tirado o mundo que era seu.


A dama Capuleto, em amor pleno,
Despertando, uma morte percebeu.
Entonces, ao punhal vil recorreu
Eternizando a dor no sangue ameno.


Mas, antes, contemplou bem Capuleto
O seu virgem mancebo lá deitado
Sobre o tão tenebroso e gris sepulcro.


Àquele resplandente rapaz pulcro,
Tomou dos lábios lúgubres do amado
O beijo como lânguido amuleto!


Rommel Werneck

quinta-feira, 10 de maio de 2012

ANJO ADORMECIDO



"Adeus! Assim de ti afastado,
Cada laço estreito a perder,
O coração só e murcho e seco,
Mais que isto mal posso morrer."
(Lord Byron)

Sob o esplendor eternífluo da Lua,
Numa floresta soturna e ciméria,
Por entre flores, na noite sidérea,
Estavas tu, a sonhar, seminua.

A tua face, branquíssima, nua,
Alumiada p'la Lua cinérea,
Linda, encantava minh'alma funérea,
Com a beleza luctífera tua.

Num terno frio que a pele conforta,
Fitava tua brancura de morta...
Como uma estrela, dormias, tão nédia!

Agora, choro, entre langues soluços,
E ante o cadáver teu caio de bruços,
Triste e admirado p'la bela tragédia!

(versos decassílabos, ritmo gaita galega)

sábado, 5 de maio de 2012

A UM EFEBO


Efebo de clâmide



A UM EFEBO


Já não és mais imberbe, velho efebo!
Cresceram enfim teus pêlos, teus músculos
E, afogado nos teus alvos crepúsculos,
Contemplo tuas novas formas, Febo!


Muda teu rosto, olhar em que percebo
Que me rejeitas; ó teus vis escrúpulos,
Adolescente, afundam-me em minúsculos
Locais, pois eu virei pobre mancebo.


Fez-te mais belo ainda a Mãe Beleza
E a mim a infância deu com forte horror!
Não te iludas jamais co’a tal nobreza


Pois a beleza não mostrará cor,
Na marcha do mau tempo só vileza:
Sombras e luzes sobre ruga e dor.


Rommel Werneck