quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lânguida Donzela






Lânguida Donzela

Ó solitário anjo adornado d'encanto,
Que outrora estiveras nas mãos da ventura,
Por que choras tão bela, lânguida e pura,
Se a ti a tristura desfalece tanto?

Perdoa, amor, quem pranteia por teu pranto!
Mas viveras toda risos e ternura,
Ora jazes qual a Lua em noite escura,
Tristíssima e assaz pálida de quebranto!

Ah, donzela, que meus sonhos embelece,
Por ti a minha alma deveras fenece
E semelha à lúgubre rosa a murchar...

Oh! Eu morro por tua doce melancolia,
Morro de amor por tua beleza sombria,
Morro por ti... por apenas um olhar!...


*versos hendecassílabos - 5º e 11º

Renan Tempest

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Doce Amor




Doce Amor


I saw, in gradual vision through my tears,
The sweet, sad years, the melancholy years...
Elizabeth Barrett Browning

Amei-te, amor, enquanto tive ensejo,
E se sobejo foi o meu amor
É porque tivera eu sempre o desejo
De teu beijo solene e encantador.

Ah, mas não sei se por dor ou por pejo,
Jamais eu aprendera como expôr
O amor pelo qual sofro e lacrimejo,
Num leito malfazejo de amargor.

Na solidão, na dor inda te vejo
E ora desejo amar-te sem pudor,
Com o vigor da morte e seu arquejo;

Porém, com o gracejo do sol-pôr,
Com o esplendor dum divinal cortejo,
E co'a eterna pureza duma flor...

Renan Tempest