quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Vampiro

(A Vampira, de Philip Burne Jones)

O Vampiro

Aquele que outrora foi execrado
A viver só, nas trevas solitárias,
A olvidar o amor e as belezas várias,
E a nutrir-se de sangue despojado;

Aquele sem porvir e sem passado,
Que vaga pelas campas funerárias,
Procura a morte em noites mortuárias
E é eterna sua dor qual seu fado;

Aquele já afeito à solidão,
À tristeza e à lúgubre escuridão,
Eis o mais tétrico ser: o vampiro!

Ah, e sou tal como ele em minha dor:
Acho a morte o que há mais encantador,
E, por ela, tristemente, suspiro!

Renan Tempest

Musa da Melancolia

(A Lua, de Tarsila do Amaral)


Musa da Melancolia


Ó Lua triste, pálida e sombria,
Amo-te! mas no inverno amo-te mais!
És mais bela nas noites invernais,
Ó doce musa da melancolia!

Contemplo-te da necrópole fria,
Sobre os velhos jazigos sepulcrais,
Entre o ecoar dos silenciosos ais,
Na obscura solidão do fim do dia!

Co'a minha solitária e negra lira,
Canto-te a dor p'la qual mi'alma suspira;
Tu és, para mim, o estro mais sublime!

E em meio a tanto spleen e vã tristura,
Teu fulgor evanescente é a cura
Para a eterna amargura que me oprime!

Renan Tempest