sábado, 22 de novembro de 2014

#INDRISAÇÃO - ROMMEL WERNECK POR ROMMEL WERNECK






  Como já foi comentado, explicado e devidamente exemplificado,por indrisação entende-se o processo de criar um indriso inspirando-se num soneto ou mesmo converter um soneto em indriso. Clicando no marcado #INDRISAÇÃO é possível observar os primeiros exemplos meus e de meus amigos. 



   Flores de Primavera é um "soneto", bem entre aspas mesmo, escrito por mim no auge de meus quinze anos em 2003. 



Chega a estação de mais linga longa espera
Florescendo tudo de belo da vida 
A deixando mais jovem e colorida
Como um sonho feito de quimera 


Chegam as flores marcando uma nova era 
Esquentando e deixando linda e florida 
A minha vida, para ser mais querida 
Enfim, chegam as flores de primavera 

Lindos pássaros e belas borboletas
Vão pousando entre flores e violetas
Lá fora, Primavera vai florescendo 

Dentro de mim, meu coração vai morrendo 
Perco-me nas lindas flores do jardim 
Mas é a tristeza que está perto de mim 






Ao reencontrar o texto em 2012, tentei consertá-lo em vão. Surgiu a ideia de converter em indriso. Além das cesuras e polimetria, a tentativa de soneto apresentava um texto longo demais, então optei por fazer a concisão do indriso. O indriso é curto e ideal para certos textos que necessitam ser rápidos. Todas as vezes que vejo que um soneto antigo está longo demais, isto é, cansativo e sem muito desenvolvimento, penso em cortá-lo para 8 versos. É como aparar a barba e o cabelo, às vezes há excesso. 

Eis a composição de 8 versos: 




       FLORES DE PRIMAVERA


  

Florescendo os campos, brotando mil flores,
Chega novamente a prisca primavera
E saem as gentes todas em amores...


Eu também passeio, saio sem espera...
Pelos campos vou correndo em negras cores
Fingindo talvez qu’exista quimera...


Faço sombras sobre as flores do jardim


Enquanto outras sombras pairam sobre mim...







              Rommel Werneck 

sábado, 8 de novembro de 2014

DALIDA




Eu gostaria de escrever sobre a música que gosto.


Nascida Iolanda Christina Gigliotti, Dalida, nasceu em Cairo, no Egito em 1933. De família italiana, soube brilhar no Egito estrelando em filmes e vencendo o Miss Egito 1954.


Ela cantava em italiano, espanhol, grego, alemão, hebraico, árabe e, claro, em francês. Também cumprimentava fãs japoneses. Certamente, uma das grandes cantoras poliglotas do século XX.


Como vocês notarão, a aparência e estilo musical mudaram através dos anos absorvendo a essência de cada década. Deixarei aqui uma seleção de músicas que eu escuto quase sempre e que revelam cada fase dela.


A artista tornou-se cantora nos anos 50:










Também achei conveniente publicar a versão de Hava nagila






Década de 60: Dalida reproduz os ritmos da época





É intérprete da versão italiana de Bang, Bang.





Acho bonitinha essa música de 1969, aqui ela já estava loira.




É na década de 70 que a loira lança seus melhores e mais conhecidos sucessos.









É muito conhecida por interpretar uma música árabe chamada Salma Ya Salma, a versão em francês é mais conhecida.




J'attendrai, A primeira música disco em francês foi gravada por Dalida. Ela também gravou Laissez Moi Danser.







Dalida se suicidou em 1987. Seguem agora alguns clássicos dela nos 80s.








ANADIPLOSE

"ANADIPLOSE

Repetição de uma palavra(s) em posição final numa frase ou num verso no princípio da frase ou verso seguinte. Por exemplo, o seguinte poema de Manuel Bandeira, que abre e fecha com esta figura: "O córrego é o mesmo, / Mesma, aquela árvore, / A casa, o jardim. / Meus passos a esmo / (Os passos e o espírito) / Vão pelo passado, / Ai tão devastado, / Recolhendo triste / Tudo quanto existe / Ainda ali de mim / - Mim daqueles tempos!" ("Peregrinação", Obras Poéticas, Minerva, Lisboa, 1956). Trata-se de uma figura de retórica mais frequente em textos poéticos. O efeito de cascata pretendido é o de reforçar o valor semântico do termo repetido, que funciona como eco, fazendo recordar o processo medieval do leixa-pren. Foi bastante explorada pelos poetas barrocos, como no soneto de Gregório de Matos: “Contempla na borboleta exemplos do seu amor”: Tu a vida deixas, eu a morte imploro, / Nas constâncias iguais, iguais nas famas.” (Poetas do Período Barroco, apres. de Maria Lucília Gonçalves Pires, Comunicação, Lisboa, 1985, p.263). Como figura, a anadiplose apenas diz respeito à construção de um texto e não ao seu sistema de ideias, que dificilmente se altera com o seu uso.

anáfora; epanalepse; epanadiplose; epífora; gradação; quiasmo; refrão"

Carlos Ceia




É verdade, meu Deus, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.


Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.


Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.



Luz, que claro me mostra a salvação,
A salvação pertendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.



GREGÓRIO DE MATTOS



Quando se fala em anadipolse, este belo soneto sacro é sempre citado, mas há outros exemplos além dos apontados pelo professor Carlos Ceia.
O escritor catarinense Cruz e Souza utiliza neste trecho:


“Sonho Profundo, ó Sonho doloroso,
doloroso e profundo sentimento!
Vai, vai nas harpas trêmulas do vento
chorar o teu mistério tenebroso”.



No início do ano fui homenageado num soneto com anadiplose escrito pelo adolescente Bruno Fagundes Valine que utiliza o heterônimo Poeta Lendário.



Rommel Werneck
A um doce sonetista gótico, Rommel Werneck.



Já asas não as tenho mais!... Oh, asas!...
Oh asas, sem vós?... Como irei ao céu?...
Céu, quão longínquo ’stou de teu grand’ véu!...
Véu, por que de teu toque tu me atrasas?...



Sinto-me alado quando tu me abraças!...
Abraças-me e de ti torno-me réu?...
Réu?... Mas emancipado a um fogaréu?...
Fogaréu!... Santo fogo, santas brasas!...



De ti nunca senti sinestesia?...
Sinestesia, a mi, me tens tocado!...
Tocado, em sonhos, doce cortesia...



Cantar-te-ia a ti se eu tivesse voz!...
Voz de teu timbre doce e delicado?...
Delicado coral somente a nós...


(Bruno Fagundes Valine)


Anterior a este, meu soneto abaixo registra a anadiplose nos tercetos, notem que também utilizei um recurso de repetição nos quartetos:




Só! Sem bonança dança, luz, ó luz!
Na solidão perpétua do viver...
Só! Com medo segredo, cruz, ó cruz!
No luto eterno deste alvorecer...

Só! Sem amor calor, alguém, ó alguém!
Na necrópole lúgubre e perdida...
Só! Com sombra que assombra, alguém, ó alguém!
Na floresta sangüenta desta vida...

Só! Chorando exalando negro sangue,
Sangue horrendo, infeliz, morto e ruim,
Morto e ruim querendo amor e dó,

Dó e caritas, amor, tudo tão só.
Só! Sem cor, sem ninguém, sem luz, sem fim!
Afundando-se neste rubro mangue...


Rommel Werneck


Poderíamos treinar esta figura de estilo tão esquecido e sublime.